quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Perdida na primeira semana

Eu não me lembro exatamente o dia, mas foi na primeira semana. Eu desci do ônibus e fui me guiando pelo google maps para achar o caminho de casa. Ainda não conhecia nada por aqui. Colocava o endereço que a Megan tinha me passado por Whatsapp e ia seguindo. Eu estava voltando da Universidade, tinha pouca bateria, mas daria para chegar em casa. Quando o google disse: "Você chegou ao seu destino." Eu estava aqui:
Era uma casa de funerais. Eu pensei: Epa! ainda não. Mas se o app está dizendo que é aqui, deve ser perto, ao lado, atrás... comecei a andar por ali, dar a volta... vi que tinha um parque do outro lado da rua, e o Artur (o antigo locatário do quarto em que moro) tinha dito que tinha um quarto perto da casa da Megan, então eu não queria me afastar  muito do parque. 


Era de tardezinha, tinha muitas pessoas voltando do parque com cachorros, estava uma tarde agradável. Eu insistia em colocar o google maps, pensava não é possível, é esse endereço que a Megan me passou, não pode estar errado! E comecei a andar por aquelas ruazinha laterais uma por uma na esperança de reconhecer a rua.... acabou a bateria do celular, escureceu, ficou noite fechada... começou uma garoinha fina.... e nada de eu encontrar... não sei por quanto tempo eu andei. Não via um comércio. só casas. E eu pensava: Como eu posso pedir informação se eu não sei o nome da rua? não tenho o endereço,  nem telefone da Megan? Tudo está no celular! Chorei... parei de chorar. Pensei: Bom, vou dar um jeito, vou ter que dar. Eu sempre  dou um jeito. Comecei a cantar: Caminhando e cantando e seguindo a canção... aí pensei: Estou louca mesmo! Total! hahahahaha....
Nesse ponto já tinha me afastado do parque e não tinha a menor ideia da direção que eu tinha que ir, mas foi bom, porque vi um comércio, uma espécie de mercearia. Fui até lá. Entrei e disse: "Can you help me?" Eu devia estar com uma cara tão desesperada, que a moça advinhou logo: "you lost?" yes. 
Bom, pedi para ela me deixar carregar o celular um pouquinho e chamei um uber. Em alguns minutos eu estava em casa.
Foi uma experiência tão traumatizante, que no outro dia eu não tinha vontade de levantar da cama. Quando eu me lembrava eu tinha vontade de chorar. Tive que fazer um esforço para reagir.
Mas eu decidi que não me deixaria abater!!!

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

O brechó que salva

Depois do frio que dá vontade de chorar, no mesmo dia, fui a um brechó que tinham me indicado e comprei coisas bem bacanas por um precinho bem simpático. Foi minha salvação! Camisas de flanela como essa vermelha, esse casaco e botas adequadas.

Um frio que dá vontade de chorar




Nesse dia eu estava indo ver se conseguia uma vaga em uma escola de inglês. Uma das minhas grandes dificuldades aqui é me comunicar com as pessoas com meu inglês pé quebrado. Tive que descer do ônibus e andar um bom pedaço e estava caindo uma chuvinha fina tão gelada de congelar até os ossos. Foi de dando uma tristeza, uma sensação de abandono, de fragilidade e impotência... de repente, acho que foi um anjinho que soprou no meu ouvido alguma coisa que eu comecei a reparar na beleza daquela paisagem. Eu tive que tirar a luva para bater essas fotos. Agora eu olho para elas e percebo que essas fotos são incapazes de retratar toda a beleza daquele momento. Tão pouco eu sou capaz de descrever. Não consegui a vaga na escola de inglês e na volta, vi um esquilo na árvore, parei para tirar uma foto. Resultado: pedi o ônibus e tive que ficar um tempão esperando o próximo.
Tá vendo o esquilo? Não, né. Mas ele está nesse tronco. 
Viu?

rs....

O nome na plaquinha

Ver meu nome nessa plaquinha me deu uma alegria muito grande! Me senti honrada! Não era só eu que estava ali. Me lembrei do que o meu irmão Esdras disse quando soube que eu vinha para o Canadá: "Somos todos nós que vamos com você." Poucas pessoas sabem de todas as dificuldades pelas quais já passamos. Estar aqui é uma grande vitória, não só minha, em primeiro lugar da minha mãe, D. Valdelice Barbosa da Silva, e também de toda a família Barbosa da Silva. Obrigada mamãe! Obrigada família! 

Um dia agradável....


 Apenas frio. Não está nevando nem chovendo.

Primeiro dia em Guelph ON







Da minha janela eu podia ver a neve lá fora. Tirei algumas fotos. Estava muito cansada! Deitei e dormi como uma pedra! A Megan é muito gentil. Foi trabalhar mas me mandou mensagem dizendo que quando ela voltasse poderíamos ir fazer compras. Ela tinha deixado no meu quarto um cartão escrito: "Welcome to Canadá Débora!" Uma caixa de biscoitos e uma lata de cerveja canadense.



Quando ela chegou, me levou de carro ao mercado e tirou essas duas fotos de mim em frene à casa dela.

A Megan tinha planos para a noite, afinal, era 31 de dezembro. Comprei umas coisinhas gostosas para comer, um vinho e me preparei para passar meu Réveillon tranquilamente sob o edredom assistindo Netflix. Eu estava preparada, tinha levado meus carregadores e adaptadores de todo tipo, até mesmo um adaptador universal. Só não contava com o tipo de tomada que ia encontrar aqui no Canadá.
E eu não estava preparada para isso. A bateria do computador foi acabando, do celular também... eu não podia nem mesmo desejar feliz ano novo para a família!
O que me salvou foi o meu tablet que estava carregado, e assim eu pude assistir alguma coisa nele até o sono vir.